quarta-feira, 8 de junho de 2016

Matrizes Energéticas 2

Termelétricas

A geração de energia elétrica pelas termelétricas é realizada com maiores custos e com maior impacto ambiental, porém, a construção de uma usina desse tipo necessita de investimentos menores que a de uma hidrelétrica.
Se, na usina hidrelétrica, as águas dos rios movimentam as turbinas, na termelétrica quem faz esse papel é a pressão do vapor de água produzido por uma caldeira aquecida pela queima de carvão mineral, gás ou petróleo.
Uma das vantagens em relação à hidroeletricidade é que a localização da usina é determinada pelo mercado consumidor e não pelo relevo, o que possibilita sua construção em áreas próximas onde há demanda, resultando em despesas inferiores na transmissão da energia elétrica produzida.
Pouco mais de 60% da energia do mundo é produzida neste tipo de usina que, por aquecer água de rios ou mares para o resfriamento de turbinas e água, além de eliminar dióxido de carbono, gera impactos ambientais consideráveis.


Fontes:

http://educacao.uol.com.br/disciplinas/geografia/fontes-de-energia-2-carvao-petroleo-gas-agua-e-uranio.htm

http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/geografia/usina-termeletrica.htm




Fontes Energéticas

Os combustíveis fósseis como o petróleo, o carvão mineral e o gás natural representam ainda 80% das fontes energéticas do planeta, sendo justamente eles as fontes responsáveis pela maior parcela da poluição ambiental e do efeito estufa, em particular.

Os combustíveis fósseis são encontrados em bacias sedimentares e formados pela decomposição de matéria orgânica. Esse processo leva milhões de anos e uma vez esgotadas essas formações, não haverá tempo suficiente para que elas sejam respostas na escala da vida humana. É por isso que podemos dizer que a matriz energética atual não é sustentável.

Carvão Mineral 
As reservas de carvão mineral do hemisfério Norte são bem maiores que as do Sul, o que se deve, basicamente, a dois fatores: no primeiro hemisfério há maior quantidade de terras emersas e ocorrência de verões mais quentes e invernos mais rigorosos, o que favorece a ação biológica. A China é a maior produtora e consumidora de carvão mineral, enquanto os Estados Unidos, os grandes consumidores de gás natural e carvão.

Petróleo 
Há uma grande irregularidade na distribuição geográfica das reservas mundiais de petróleo, em razão das condições geológicas específicas das regiões detentoras. Cerca de 2/3 das reservas provadas estão localizados no Oriente Médio, que responde por cerca de, aproximadamente, 6% do consumo mundial. Por outro lado, a América do Norte, que possui apenas 4,8% das reservas, é responsável por cerca de 30% do consumo mundial.

Energia Nuclear 
As crises internacionais do petróleo, na década de 1970, e a crise energética subsequente levaram à busca de fontes alternativas de geração de eletricidade. Nesse contexto, a energia nuclear passou a ser vista como a alternativa mais promissora, recebendo a atenção de muitos analistas e empreendedores, assim como vultosos investimentos. Em pouco mais de duas décadas, passou de uma participação desprezível (0,1%) para 17% da produção mundial de energia elétrica, ocupando assim o terceiro lugar entre as fontes de geração. 

Contudo, o futuro da energia nuclear não parece favorável, em razão dos problemas de segurança (risco de um vazamento nuclear) e dos altos custos de disposição dos rejeitos nucleares (lixo atômico). Com exceção de poucos países, dentre os quais a França e o Japão, a opinião pública internacional tem sido sistematicamente contrária à geração termonuclear de energia elétrica.

Gás natural
Combustível fóssil encontrado em estruturas geológicas sedimentares, o gás natural está associado ao petróleo e, portanto, é esgotável e não-renovável. É utilizado em maçaricos, motores a explosão, altos-fornos, fogões, etc. e sua queima libera uma boa quantidade de energia, cada vez mais utilizada nos transportes, na termeletricidade e na produção industrial.
Segundo a Agência Internacional de Energia (2004), a participação do gás natural no consumo mundial de energia é, atualmente, da ordem de 16,2%, sendo responsável por cerca de 19,1% de toda a eletricidade gerada no mundo.
No Brasil, as reservas provadas são da ordem de 230 bilhões de m3, dos quais 48% estão localizados no Estado do Rio de Janeiro, 20% no Amazonas, 9,6% na Bahia e 8% no Rio Grande do Norte. A produção é concentrada no Rio de Janeiro (44%), no Amazonas (18%) e na Bahia (13%). A participação do gás natural na matriz energética brasileira ainda é pouco expressiva, da ordem de 5,6% do consumo final.
Outras características importantes do gás natural são os baixos índices de emissão de poluentes em comparação a outros combustíveis fósseis - como o carvão mineral e o petróleo -, rápida dispersão em caso de vazamentos, baixos índices de odor e de contaminantes.
Ainda em relação a outros combustíveis fósseis, o gás natural apresenta maior flexibilidade, tanto em termos de transporte (facilmente transportado em condutos) como de aproveitamento.

Hidrelétricas 
É uma forma de obter energia por meio do potencial hidráulico de um rio, sendo que é necessária a construção de usinas com elevado nível de água. A água passa pelas tubulações da usina com bastante força e velocidade e movimentam as turbinas. No processo, a energia potencial (energia da água) se transforma em energia mecânica (movimento das turbinas). As turbinas já estão ligadas a um gerador, que transforma a energia mecânica em energia elétrica.
Elas preferencialmente são construídas em locais afastados, o que eleva o valor da energia que tem que ser transmitida para as cidades. As hidrelétricas possuem uma boa eficiência energética - por volta de 95%. Os países que mais possuem potencial elétrico são o Canadá, Estados Unidos, Brasil, Canadá, Rússia e China.
Ao contrário das demais fontes renováveis, a hidrelétrica representa uma parcela significativa da matriz energética mundial e possui tecnologias de aproveitamento devidamente consolidadas. Atualmente, é a principal fonte geradora de energia elétrica para diversos países e representa cerca de 17% de toda a eletricidade gerada no mundo.

Solar
A energia solar, é fácil deduzir, é aquela que vem do sol. Esta é primeira e principal energia que deu origem à vida na Terra. Com a energia do sol, é possível gerar energia elétrica, esquentar a água do banho e muito mais. É ainda pouco utilizada no mundo, pois sua instalação inicial tem custo elevado.
É uma fonte limpa e renovável e não causa grandes impactos ambientais para ser produzida. As placas solares são os sistemas utilizados para captar a radiação solar e transformá-la para gerar calor ou eletricidade.

Eólica
É a energia gerada a partir do vento. Grandes hélices são instaladas em áreas abertas, com boa incidência de ventos. O movimento dessas hélices gera eletricidade. Para utilizar a energia eólica, é preciso que a região tenha ventos constantes e fortes o suficiente.

Biomassa
Antes de tudo, precisamos saber o que é biomassa. Chamamos de biomassa (ou massa biológica) a matéria orgânica, de origem animal ou vegetal, que pode ser utilizada na produção de energia: madeira, lenha, cana-de-açúcar, milho, esterco, restos de alimentos e outros elementos.
A decomposição de algumas dessas matérias gera gases, que são processados em usinas especiais para produzir energia. A biomassa é considerada um recurso renovável e de baixo custo. No Brasil, o uso da biomassa ganhou destaque, principalmente nos últimos anos. Entre as matérias orgânicas mais usadas para gerar energia de biomassa, em nosso país, está a lenha. A biomassa também é muito usada como combustível. O principal deles é o álcool de cana-de-açúcar, que usamos para abastecer carros.

Geotérmica
A energia geotérmica vem do calor da Terra e existe desde que o nosso planeta foi criado. No centro da Terra, existe muito calor com temperaturas elevadas. Em algumas das camadas mais fundas da crosta da Terra, a temperatura pode atingir 5.000°C. O ser humano descobriu formas de capturar essa energia e transformá-la em eletricidade. Mas, apesar de suas vantagens, a energia geotérmica ainda é pouco utilizada no planeta.

Xisto Betuminoso 
O xisto betuminoso é uma rocha sedimentar de grão fino, rica em material orgânico, contendo querogênio (uma sólida mistura decompostos químicos orgânicos), a partir do qual podem ser produzidos hidrocarbonetos líquidos chamados de petróleo de xisto. O petróleo de xisto é um substituto para o petróleo convencional; contudo, a extração do petróleo de xisto do xisto betuminoso é mais cara e tem maiores impactos ambientais. Depósitos de xisto betuminoso são frequentes em todo o mundo. As estimativas de depósitos globais vão de 2,8 a 3,3 trilhões de barris de óleo recuperável.
O EUA estão provocando uma grande mudança no mercado mundial de energia com um crescente aproveitamento desse recurso.



Fontes:
http://guiadoestudante.abril.com.br/estudar/geografia/resumo-geografia-fontes-energeticas-suas-relacoes-economicas-646808.shtml

http://www.energiasdomundo.com.br/educativo/energia-fontes-e-tipos/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Xisto_betuminoso






Matrizes Energéticas 1

Trechos de Artigo da IHU - Unisinos


Os países em todo o planeta perseguem obsessivamente o aumento da geração de energia para dar conta da crescente demanda da produção e do consumo. A crise energética não é um problema brasileiro, ela se coloca como um dos temas centrais da agenda mundial e está intimamente ligada às crises climática, alimentar e mesmo financeira.

O fato incontestável é que o mundo é cada vez mais voraz, insaciável e sedento por energia. Essa obsessão, entretanto, apresenta graves implicações para o conjunto da sociedade. Levado às últimas consequências, a exploração sem limites dos recursos naturais para suprir as demandas por energia pode levar o planeta a um impasse. Já é conhecida a equação de que crescimento infinito com recursos finitos não fecha. Não se pode querer crescer infinitamente quando se sabe que os recursos são finitos.

Apesar de a presidente (Dilma) ter colocado as energias renováveis, em seu discurso sobre a Rio+20 (03/07/2012) na semana passada, no contexto das “fantasias”, cada vez mais pesquisas revelam que o Brasil tem potencial para crescer como um gigante da energia limpa. De acordo com relatório da Pew Charitable Trusts, baseado nos dados da Bloomberg New Energy Finance, o Brasil ficou em 10º lugar em um ranking de investimentos em energia renováveis do G20 em 2011, chegando a US$ 8 bilhões no total.



A crise do capitalismo é também a crise energética

A crise financeira, que tem pautado os debates no mundo todo, parece estar longe de ser solucionada dentro do pragmatismo político dos governos tecnocratas, que lideram as principais economias do planeta e que, ainda, estão atrelados, em grande medida, com as mesmas matrizes energéticas do capitalismo industrial do século passado.

Não obstante, já não há tempo suficiente, diante das grandes mudanças climáticas, para práticas estreitas e pontuais, na resolução de problemas provenientes dos fortes abalos sofridos pela economia mundial, que insiste em ações predatórias ou pouco sustentáveis sobre os recursos naturais. Economistas preocupados, com os desafios postos para este século, apontam a necessidade de novas respostas no enfrentamento dessa crise sistêmica, ou seja, ela não pode ser resolvida somente com medidas superficiais.

Para o economista e cientista político alemão, Elmar Altvater, a crise financeira não pode ser entendida separada das crises energética e climática. Neste cenário de crise sistêmica, permeado pela escassez de energias não renováveis e pelo aprofundamento da crise ambiental, em grande escala, um dos passos importantes seria abandonar o imbróglio da fixação na ideia de crescimento econômico.

Segundo Altvater, “até o início da era industrial a humanidade não conhecia crescimento. Aumentos de produtividade eram insignificantes, sendo geralmente impedidos para evitar as concomitantes mudanças sociais. Crescimento, portanto, só existe desde inícios do século XIX”. Não se trata, portanto, de algo inexorável dentro da história da organização da economia no mundo. Se o crescimento depende do suprimento de energias, em se tratando de energia fóssil já se aponta para o fim de uma era.

Do ponto de vista filosófico, diz Jeremy Rifkin, a superação dos velhos padrões de organização econômica, diante das emergências do momento, passa pelo rompimento das prisões intelectuais ainda herdadas do século XVIII, ou seja, de uma “tradição iluminista, do pensamento de Locke e de Adam Smith: aquele que nos representa o homem como um ser racional, materialista, individualista, utilitarista”. Esses princípios não correspondem à nova relação que o ser humano precisará adotar diante dos recursos naturais.

O economista americano insiste que o ciclo de crescimento, que se pensava inesgotável, acabou, pois, “fontes de energia, como carvão, petróleo e urânio, são de elite, não estão disponíveis em qualquer lugar, demandam investimentos políticos, militares e de capital”. Caso se permaneça na perspectiva dos que insistem com os velhos padrões sociais, será “impossível que seis bilhões de pessoas enfrentem a escassez de recursos naturais” e se voltem para os interesses da biosfera.

Ao contrário das velhas matrizes energéticas, segundo Rifikin, “a energia renovável distributiva é encontrada em qualquer metro quadrado do mundo. Vem do sol, do vento, do calor debaixo do solo, do lixo, dos compostos orgânicos gerados pelos processos agrícolas, das marés e das ondas do mar”. Daí, a oportunidade de se gestar novos paradigmas.

Dos velhos aos novos paradigmas energéticos

Para uma possível mudança paradigmática, que substitua as velhas matrizes energéticas, é necessário um amplo esforço mundial para a efetivação de novas formas de produção e consumo energético. Segundo Altvater, o uso de fontes de energias fósseis se coaduna com um sistema de imposição autoritária, causador de conflitos mundiais e do efeito estufa, além de ameaçar o surgimento, nas próximas décadas, do fenômeno dos refugiados ambientais.

Por meio de uma análise histórica, da relação entre energia e comunicação, Jeremy Rifkin assinala as distintas transformações na relação da sociedade capitalista industrial com as matrizes energéticas. No século XIX, com o barateamento da impressão, o letramento dos trabalhadores forneceu-lhes “habilidades para lidar com as complexidades das demandas energéticas da época - o carvão, o vapor”. No século XX, foi a vez do telefone contribuir na gestão e controle da chamada segunda revolução industrial, marcada pela era do petróleo e a do automóvel. Para os dias atuais, com a Internet, urge uma nova revolução, ou seja, a terceira revolução industrial. “A internet aparece como tecnologia de comunicação revolucionária, porque é distributiva e colaborativa, enquanto a impressão, a TV, o rádio eram centralizadas”.

Rifkin entende essa passagem, da segunda para a terceira revolução industrial, dentro de cinco pilares: “as fontes renováveis, a transformação das casas em centros de produção de energias graças às microcentrais domésticas; o hidrogênio para armazenar a energia fornecida pelo sol e pelo vento durante os horários de picos; a criação das “smart grids”, que são a internet de energia; os carros elétricos”.

Por meio das potencialidades valorativas do mundo da internet, Rifkin aponta para o surgimento de novos bens sociais, como “o direito de acesso ao conhecimento, a relação paritária, a troca de informações e de música, em breve a troca de energia”. Ela será, portanto, uma revolução na maneira de se pensar a produção, distribuição e consumo de energia, podendo se configurar num “ataque ao sistema baseado no autoritarismo, no poder hierárquico, na centralização”. Na nova cultura dos jovens internautas, Rifkin vislumbra a possibilidade de se construir uma sociedade baseada na transparência, descentralização e livre acesso às redes.

Nas relações sociais da Internet, o sistema vertical é substituído por um sistema horizontal. Assim também, Rifkinpensa na superação dos grandes oligopólios energéticos por fontes descentralizadas, criando-se a chamada democracia energética. Para isto acontecer, é preciso que haja um salto cultural e tecnológico, enfrentando-se desafios como: “desenvolver a pesquisa, inovar os materiais, multiplicar minas renováveis, criar mão de obra especializada na construção de novos sistemas, em sua instalação, na edilícia bioclimática”.

Dentro deste contexto, da democracia energética, a abordagem do físico Heitor Scalmbrini aponta para novas atitudes e enfoques no enfrentamento da questão energética. Para o físico, “o envolvimento da comunidade na discussão, no planejamento e na gestão democrática dos recursos energéticos é chave para a sua soberania e para a sustentabilidade, e uma opção de resistência aos modelos centralizadores de recursos e poder que impõe aos povos altos custos econômicos, ambientais e sociais em troca do acesso a este bem de interesse comum que é a energia e que, portanto, deveria ser um direito de todo o cidadão, assim como direito a uma vida digna num ambiente saudável”.

Matrizes energéticas a serviço de todos

Pensar as matrizes energéticas, portanto, não pode ser resumido ao atendimento dos interesses das grandes corporações econômicas, dos projetos megalomaníacos, dos anseios de consumo, por exemplo, das novas classes emergentes em países como Brasil, China e Índia. Esse modelo, do qual os Estados Unidos não serve para ser seguido, deixou uma grande dívida ambiental para o mundo, ameaçando o futuro da própria espécie humana.

No entendimento do professor argentino Walter Pengue, diretor do Programa de Atualização em Economia Ecológica, “a humanidade deverá começar a pensar seriamente seu modelo de consumo. Nestes tempos, não tem triunfado nem o capitalismo nem o comunismo. O principal ganhador é o consumismo, a ameaça mais grave sobre os recursos naturais da terra”.